Assim como na rede pública, um dos principais problemas diagnosticados na saúde privada é a falta de leitos hospitalares. A taxa ideal, de acordo com o Ministério da Saúde, é de 2,5 a 3 para cada mil habitantes. Hoje, Joinville possui o índice de 2,1 – que correspondem a 1.078 leitos. Apesar do saldo abaixo do recomendando, o município já conta com o apoio de hospitais particulares e clínicas que estão investindo na melhoria e expansão de seus serviços. A expectativa é que a cidade seja uma referência em saúde.
Com a construção de dois novos hospitais e a ampliação de outros dois, a cidade ganhará ao todo 386 leitos. Um dos responsáveis por este aumento é o Hospital e Maternidade Dona Helena, que iniciou suas obras de expansão em 2008. Comemorando o centenário da instituição, a previsão de conclusão do projeto é para 2016. No novo prédio, haverá clínicas, consultórios, centro cirúrgico, centros multidisciplinares, administração, pronto-socorro, área de “Day Hospital”, um núcleo integrado de saúde da mulher e três andares para estacionamento.
Ao todo, serão 26 mil metros quadrados que receberão 64 novos leitos. Destes, 14 já estão funcionando. Segundo o diretor técnico, Bráulio da Rocha Barbosa, será o maior hospital em área física de Joinville. “Temos que correr na frente, porque se não gera crise e superlotação”. Atualmente, o hospital realiza em média 10 mil consultas por mês e esse número tende a crescer. “Hoje, sentimos que os hospitais estão superlotados. E o mercado já apresenta uma demanda reprimida”, analisa Barbosa.
Além do Hospital Dona Helena, outra obra que está à caminho é o Complexo Hospitalar Vida, que deverá iniciar as obras neste mês. Com um investimento de aproximadamente R$ 75 milhões, o projeto prevê a construção de 36 apartamentos, 30 leitos de UTI e 98 leitos de enfermaria.
O projeto é da Fundação Pró-rim e pretende atender pacientes particulares, conveniados e do SUS. Hoje, os transplantes são realizados no Hospital Municipal São José, mas, com o empreendimento, parte dessa demanda será transferida para o novo hospital. “De antemão, sabemos que ainda haverá a necessidade de mais leitos. Sabemos que outros hospitais estão se expandindo, mas, no poder público, quando acontece, já vem com o atraso. A necessidade de leitos hospitalares em Joinville é de décadas”, enfatiza o médico e diretor responsável pela obra, José Aluísio Vieira.
Atualmente, além de atender à região, a instituição recebe pessoas com problemas renais que vem de outros estados para tratamento. Deste modo, para atender médicos, pacientes e visitantes, o novo prédio também terá restaurantes, agências bancárias e de correios, livrarias e farmácia.
Apesar de ser especializado em transplantes, o hospital atenderá a todas as especialidades médicas, focando principalmente o atendimento a pacientes renais e cardiovasculares. “O mercado da saúde é o mercado do momento no país. Os empresários e o governo brasileiro não vão suprir todo esse mercado e ele poderá ser aberto para empresas estrangeiras. Como a população exige o melhor tratamento de saúde, o mercado está aberto para associações como a nossa. É um mercado muito promissor”, considera Vieira.
Sem possibilidade de ampliação no atual endereço, o Hospital de Olhos Sadalla Amin Ghanem (Hosag) deverá ganhar mais um espaço em dezembro de 2012. A atual sede continuará em funcionamento, porém, a maior parte dos serviços serão transferidos para a nova unidade.
Em estágio de construção, as futuras instalações ficam na avenida Marquês de Olinda e ocupa uma área de 13,5 mil metros quadrados. Diferentemente dos outros hospitais, o Hosag atenderá somente pacientes com problemas de visão. Para isso, contará com 38 consultórios médicos, duas unidades de diagnóstico e terapêutica, centro cirúrgico e 12 leitos, centro cirúrgico de Laser Ocular, departamento de lentes de contato, estacionamento coberto para 182 vagas e heliponto. O empreendimento também disponibilizará área de apoio para pacientes e acompanhantes, com praça de alimentação e alameda de serviços. “Fizemos 48% da obra e já finalizamos a parte de alvenaria e cobertura. Com a cobertura, vamos continuar com as outras etapas”, afirma Mirian Maria Marques, do Hospital de Olhos Sadalla Amin Ghanem.
Para ela, o setor da saúde em Joinville está evoluindo muito. “Aliado aos empreendimentos que estão chegando à cidade, acredito que Joinville será um pólo de excelência em medicina, porém, no SUS isso deve muito ainda. Em todas as especialidades, houve um incremento e esperamos que a saúde seja bem atendida em Joinville. Na área privada, estamos muito bem servidos”, explica.
Em três anos, Joinville ganhará mais 150 leitos com a ampliação do Hospital da Unimed. Atualmente, a unidade está avaliando quais são as especialidades e os serviços que serão colocados no novo prédio. Sob consultoria, os diretores estão avaliando quais tratamentos a população procura. Com a obra, a Unimed ampliará o número de leitos de 165 para 315, aumentando a quantidade de salas cirúrgicas, o pronto-atendimento e o centro de diagnóstico por imagem. Do planejamento à inauguração, o projeto todo durará sete anos – a construção deve terminar em 2014. Localizado na rua Orestes Guimarães, atrás do prédio atual, o empreendimento terá 24,4 mil metros quadrados.
A necessidade de expandir o negócio veio com o aumento da taxa de ocupação. Para ceder espaço a mais leitos, setores como o departamento comercial e de recursos humanos foram transferidos para outros locais. Porém, segundo o diretor de vendas da Unimed, Eduardo Arins, a expansão interna chegou ao limite.
Mais que um benefício
Como forma de atrair talentos e diminuir a rotatividade nas vagas, as empresas investem cada vez mais em benefícios para os funcionários. Entre eles, está o plano de saúde, que é o mais solicitado pelos brasileiros, seguido de seguro de vida e planos odontológicos. Segundo o estudo internacional da Metlife, multinacional do setor de seguros e planos de previdência, 90% dos trabalhadores brasileiros consideram o convênio médico um dos fatores mais importantes na hora de escolher um emprego.
A pesquisa foi feita entre novembro de 2010 e fevereiro de 2011 e entrevistou 2.930 empregados e 1.450 empregadores do Brasil, Austrália, Índia, México e Reino Unido. O levantamento mostra que os benefícios têm uma forte relação com produtividade, bem-estar, satisfação e fidelidade dos funcionários à empresa.
Ao descobrir que investir nas pessoas é um grande diferencial, o empregador não apenas aumenta o salário, mas busca formas alternativas para auxiliar na qualidade de vida dos trabalhadores. De acordo com a pesquisa, cerca de 50% das empresas brasileiras, que não oferecem assistência médica para seus funcionários, disseram que planejam fazê-lo nos próximos três anos.
Em Joinville, devido à economia predominantemente industrial, há um alto índice de contratação de planos de saúde coletivos. “A média nacional é que 17% da população da cidade tenha o serviço e a média em Joinville chega a 40%. Se compararmos com o Brasil, realmente o número é absurdo. E o motivo é simples: as empresas assumem esse investimento para os seus funcionários”, explica Eduardo Arins, gerente de vendas da Unimed Joinville.
Líder no segmento de seguradoras de saúde, a Bradesco Saúde tem investido em planos direcionados a empresas de pequeno porte, com no mínimo dois funcionários. Recentemente, a operadora lançou o plano Nacional Flex, que atende à demanda de pequenas, médias e grandes empresas. “O mercado está aquecido. E, como a economia no país está bem, o público da classe C quer comprar o que não tinha no passado. Não só em Joinville, mas no Brasil inteiro. A procura da classe C e pequenas empresas hoje têm segurança financeira e estão procurando planos de qualidade. O dono da padaria e do botequim também podem”, afirma Jackson Fujii, diretor comercial da Bradesco Saúde, que é uma das principais operadoras do Hospital Dona Helena. Segundo ele, Joinville foi a porta de entrada para a empresa chegar à região Sul. “Foi um case de muito sucesso, que contou com a parceria do Udo Dohler , do Hospital Dona Helena”. Hoje, a operadora cuida da saúde de 112 mil clientes em Santa Catarina. Destes, 60 mil apenas em Joinville.
Trabalhando somente com planos coletivos empresariais, a Agemed está há dez anos no mercado e possui cerca de 62 mil usuários em Santa Catarina. Desde 1998, a operadora atua em Joinville e, atualmente, conta com filiais em Blumenau, Criciúma, Florianópolis, Itajaí, Lages, Tubarão e redes credenciadas em cidades fora do estado. Em breve, também chegará à São Miguel do Oeste, Caçador e Chapecó.
Para reduzir o valor do plano de saúde, a Agemed oferece um modelo com co-participação e franquias de seguros para as empresas. “Em função do crescimento das empresas, o nosso modelo de negócio está atraindo novos clientes. É um mercado em expansão e está crescendo muito. Somos a maior rede credenciada em SC e temos condições de dobrar o número de usuários”, analisa Mário Silva, diretor comercial da Agemed.
Vinculada ao Ministério da Saúde, a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) é o órgão responsável pela regulamentação do mercado de convênios médicos no Brasil. Apesar disso, cada operadora pode determinar a abrangência e o valor a ser cobrado pelo serviço. Hoje, os planos de saúde são divididos por contratos individuais e familiares, coletivos empresariais e coletivos por adesão (para conselhos profissionais e sindicatos).
Para Arins, antes de contratar uma operadora de plano de saúde, os empregadores devem verificar a confiabilidade da empresa, a saúde financeira e o modelo de co-participação em procedimentos.
De 1999 para cá, quando foi implantada a nova legislação para o setor (Lei 9.656/98), cerca de mil operadoras quebraram e hoje 1.300 ainda estão registradas na ANS. “O produto de saúde é social e esse produto tinha que ser regulado em algum momento. E o papel da ANS é super importante e necessário, principalmente no mercado de seguros”, afirma Fujii.
Reportagem publicada na edição de setembro da revista Mercado Joinville.
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